sábado, julho 29, 2017

Música e História

Comecei ouvindo um grande poeta e intérprete icapuiense conhecido por Zé do Cosmo. Me encantava ouvir o violão do Zé dedilhar qualquer que fosse a melodia. Nesse tempo, com certeza, o violão era maior que eu. Maior que eu não só no comprimento, mas nas minhas forças que me atraiam para o som, para a minha paixão prematura pela música.
Não fiz faculdade de música. A escolha pela História foi consequência da curiosidade pela pesquisa das marcas do tempo, que ficam e que se vão pelas forças que operam no presente.
Daí, certo dia pensei em unir essas paixões e vi que se encaixam perfeitamente. É possível contar qualquer contexto histórico cultural através dos instrumentos primitivos ou modernos e das melodias criadas e caladas nos períodos vividos pela humanidade.
Na antiguidade, na Idade Média, na Era Moderna, no nosso momento, a música, bem como a arte em si, é usada para enaltecer as camadas abastadas e também enquadrar as mentes humanas.  Contudo, a música também tem servido ao amor, a poesia, ao grito do marginalizado.
Se o tempo era de repressão, tínhamos as melodias inexistentes nas rádios ou artistas expulsos de si mesmo. Muitos desses artistas se esvaiam de si por não poder expressar sua arte. Foram perseguidos, massacrados.
As letras que chegaram até nós merecem o nosso tempo e as que não chegaram cabe a nossa reflexão.
Paremos, portanto, pra ouvir a arte!
Se a música é arte e ela pode contar sobre a nossa história ela é também um ato político. Na verdade, a arte em si é um ato político.

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